quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pirâmide Alimentar Pós Cirurgia Bariátrica

A obesidade mórbida é uma doença refratária a dietas e medicamentos, mas, em geral, responde bem à cirurgia bariátrica. Para que ocorra uma perda de peso saudável é necessário que haja reeducação alimentar direcionada às necessidades do paciente após a cirurgia.
Basicamente, as técnicas se dividem em restritivas, não absortivas (disabsortivas) ou mistas . De acordo com as particularidades de cada paciente, seu histórico nutricional e psicológico e seus exames pré- operatórios, define-se a técnica mais apropriada.
Após a cirurgia Bariátrica o paciente terá que se adaptar não só a diminuição do consumo de alimentos como também, com as limitações fisiológicas decorrentes da cirurgia, tais como redução da capacidade absortiva.
Nessa nova realidade ser´pa necessário não só repor nutrientes através de suplementação medicamentosa oral como também reeducação alimentar; uma vez que a cirurgia não impede que o paciente volte a engordar.
O objetivo principal da cirurgia bariátrica é levar o paciente com obesidade mórbida a um peso normal e livrá-lo das comorbidades  (hipertensão arterial, artropatias, dislipidemias, diabetes, disfunções respiratórias, etc)
Mas é fundamental que o paciente compreenda que, durante o processo de emagrecimento, deve reaprender a comer (reeducação alimentar) e introduzir hábitos saudáveis em sua rotina. Sendo importantissimo após perda de peso iniciar uma atividade física (inicialmente acompanhada por um profissional especializado)
É importante ressaltar que o reganho de peso é um processo lento, acometendo apenas uma parcela pequena de pacientes - principalmente, aqueles que não fazem o acompanhamento pós- operatório.
Desse modo, é de grande importância conhecer a Pirâmide Alimentar adaptada a Pacientes Pós Cirurgia Bariátrica e seguir as recomendações nutricionais

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Alimentação X Acne


Saúde & Qualidade de Vida - Estética
A acne é uma dermatose inflamatória que se desenvolve nos folículos pilossebáceos, freqüente na adolescência, que não compromete gravemente a saúde do indivíduo, mas frequentemente prejudica o seu bem-estar e desenvolvimento emocional e social. Vários autores solidificaram tais conceitos e ainda afirmaram que o número de casos em mulheres adultas vem aumentando, seja naqueles que persistem desde a adolescência, seja naqueles em que há o surgimento tardio da doença (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).
As manifestações da doença (conhecida como cravos e espinhas) ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilossebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido. (dermatologia).
Segundo Sampaio e Rivitti, a acne é classificada clinicamente em quatro níveis: Grau I, a forma mais leve de acne, não inflamatória ou comedoniana, caracterizada pela presença de comedões (cravos) fechados e comedões abertos; Grau II, acne inflamatória ou pápulo-pustulosa, onde, aos comedões, se associam as pápulas (lesões sólidas) e pústulas (lesões líquidas de conteúdo purulento); Grau III, acne nódulo-abscedante, quando se somam os nódulos (lesões sólidas mais exuberantes); e Grau IV, acne conglobata, na qual há formação de abscessos e fístulas (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).
O quadro clínico na mulher adulta é caracterizado pelo predomínio das formas leves de acne, de localização mais freqüente na região perioral, na mandíbula e no pescoço, diferindo da forma vulgar do adolescente, em que as lesões são mais freqüentes em regiões malares e na fronte (TEIXEIRA e FRANÇA, 2007).
Vários estudos referentes à possível relação entre alimentação e acne estão sendo realizados, porém, o impacto da genética e os impactos ambientais, hormonais e psicológicos, que apresentam influências diretas sob o aparecimento da acne, ainda mascaram os resultados dos estudos.
Um estudo realizado por Wolf e col. (2004) mostrou que não há como associar a relação entre acne e dieta já que outros fatores, principalmente os genéticos, influenciam os resultados das pesquisas. Este mesmo estudo também mostrou que não há relação entre aumento de IMC e o aparecimento de acne.
De acordo com o mesmo autor, ainda há dados insuficientes que possam comprovar que uma dieta rica em gordura ou carboidratos possa interferir na quantidade e na composição da secreção formada pelas glândulas sebáceas, o que poderia influenciar no aparecimento da acne. E ainda, diversos estudos analisados pelo mesmo autor, não mostraram relação entre o aumento do consumo de chocolate e o aparecimento de qualquer tipo de alterações na pele.
Outro estudo realizado por Schaefer apud in Wolf e col.2004, mostrou um aumento no aparecimento de acne em indivíduos que mudaram seus hábitos alimentares tradicionais por conta do desenvolvimento e da influência da vida moderna.
Um estudo realizado por Smith (2007) mostrou que a ingestão alimentar pode alterar os parâmetros bioquímicos e endócrinos que são associados com metabolismo de acne, e que mudanças dietéticas contribuíram para a melhora do quadro clínico dos indivíduos estudados.
Segundo Danby, 2008, a acne é causada pela ação de dihidrotestosterona que é um produto da testosterona e também é encontrado em alimentos como leite e carnes. Portanto, para os indivíduos que sofrem de acne, excluir o leite e seus derivados da sua rotina alimentar é uma parte essencial do tratamento da acne. A lista inclui queijo, manteiga, sorvete, ricota, creme e todas as formas de leite e proteína de soro de leite, inclusive os suplementos em pó.
Outra relação encontrada neste estudo é o aumento de alimentos fonte de carboidrato e o aparecimento da acne. As elevações de glicose do plasma ocorrem em conseqüência da ingestão de uma carga significativa de glicose, e estas elevações podem causar um aumento da testosterona e uma diminuição dos hormônios sexuais, envolvidos no controle da secreção das glândulas sebáceas.
Porém, o autor ressalta que, deve-se ter muita cautela antes de restringir o leite e os carboidratos da dieta. Uma avaliação individual é importante, assim como a manutenção de uma dieta equilibrada e a administração dos medicamentos recomendados pelo dermatologista.
  Podemos concluir que ainda há necessidade de mais estudos sobre o assunto, e que uma avaliação dos hábitos alimentares individuais, assim como a adequação dietética e orientações para uma dieta saudável e equilibrada é fundamental para o tratamento da acne.

  Fonte: RG Nutri
Referências Bibliográficas:
TEIXEIRA, M.A.C; FRANÇA, E.R. Mulheres adultas com acne: aspectos comportamentais, perfis hormonal e ultrasonográfico ovariano.  Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v.7, n.1, p.39-44 2007.
SMITH, R.N; MANN; N.J;, BRAUE, A; MAKELAINEN, H; VARIGOS, G.A. The effectof a high-protein, low glycemic-load diet versus a conventional, high glycemic-load diet on biochemical parameters associated with acne vulgaris: a randomized, investigator-masked, controlled trial. Journal American Academic Dermatology, v.57, p.247-56, 2007.
WOLF, R; MATZ, H; ORION, E. Acne e Diet. Clinics in Dermatology, n.22, p. 387–393, 2004.
Dermatologia. Acesso em 18 de dezembro de 2008. Disponível em http://www.dermatologia.net/.
DANBY, F.W. Diet and acne. Clinics in Dermatology, v.26, p.93–96, 2008.
SCHAEFER, O. When the Eskimo comes to town. Nutr Today, v.6, p.8 –16, 1971.

Promoção da Alimentação Saudável: princípios, características e considerações


A história da alimentação humana se confunde com a própria história da humanidade. Isso implica em reconhecer que ela vem sendo historicamente construída, evoluindo e diferenciando-se ao longo do tempo. Portanto, a alimentação do ser humano não se delineia como uma “receita” pré-concebida e universal para todas as pessoas, pois deve respeitar atributos coletivos – inclusive culturais - e individuais, impossíveis de serem estabelecidos de maneira prescritiva. Contudo, identificam-se alguns princípios básicos que devem reger a relação entre as práticas alimentares, a promoção da saúde e a prevenção de doenças.
Uma alimentação saudável deve estar baseada em práticas alimentares que assumam a significação social e cultural dos alimentos como fundamento conceitual. Para nós, indivíduos e coletivo humano, a alimentação significa, e tem sentido, em função do consumo de alimentos (e não de nutrientes): os alimentos têm gosto, cor, forma, aroma e textura. Todos estes componentes precisam ser considerados na abordagem e no cuidado nutricional.
Os nutrientes – que compõem os alimentos e são por estes veiculados com vistas à nutrição humana - são muito importantes. Contudo, os alimentos não podem ser resumidos e tratados – em nível coletivo ou individual - apenas como veículos de nutrientes. Os alimentos trazem significações culturais, comportamentais e afetivas singulares que jamais podem ser desprezadas. Esse entendimento implica em considerar o alimento como fonte de prazer, uma abordagem necessária para a promoção da saúde.
É fundamental resgatar as práticas e valores alimentares culturalmente referenciados,      bem
como estimular a produção e o consumo de alimentos saudáveis regionais (como legumes, verduras e frutas), sempre levando em consideração os aspectos  sociais, culturais, comportamentais e afetivos relacionados às práticas alimentares.
O estado nutricional e o consumo alimentar interagem estreitamente de maneira multifatorial e sinérgica com os outros fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. Os diferentes fatores de risco, como alimentação inadequada, inatividade física, uso de tabaco, precisam ser abordados de maneira integrada, no decorrer do desenvolvimento e evolução do ciclo de vida, a fim de reduzir danos e não a proibir escolhas e opções. O estilo de vida, que engloba o conjunto das ações, reações e comportamentos adotados pelas pessoas é que produzem um perfil de saúde mais ou menos adequado.
É de responsabilidade do Estado, através de suas políticas, fomentar mudanças sócio–ambientais, em nível coletivo, para favorecer as escolhas saudáveis em nível individual ou familiar. A responsabilidade compartilhada entre sociedade, setor produtivo privado e setor público é o caminho para a construção de modos de vida que tenham como objetivo central a promoção da saúde e a prevenção das doenças. Assim, é pressuposto da promoção da alimentação saudável, ampliar e fomentar a autonomia decisória, através do acesso à informação para a escolha e adoção de práticas alimentares e de vida saudáveis.
A alimentação saudável deve favorecer o deslocamento do consumo de alimentos pouco saudáveis para alimentos mais saudáveis, respeitando a identidade cultural-alimentar das populações ou comunidades. As proibições ou limitações impostas devem ser evitadas, a não ser que façam parte de orientações individualizadas e particularizadas do aconselhamento nutricional de pessoas portadoras de doenças ou distúrbios nutricionais específicos, devidamente fundamentadas e esclarecidas.
Por outro lado, mistificar determinado alimento ou grupo de alimentos, em função de suas características nutricionais ou funcionais, também  não deve ser prática da promoção da alimentação saudável. Alimentos nutricionalmente ricos ou funcionais devem ser valorizados e entrarão naturalmente na alimentação adotada, sem que se precise mistificar uma ou mais de suas características, tendência esta muito explorada pela propaganda e publicidade de alimentos funcionais e complementos nutricionais.
Características de uma alimentação saudável
1. Acessível – física e financeiramente: ao contrário do que tem sido construído socialmente (principalmente pela mídia), uma alimentação saudável não é cara, pois se baseia em alimentos in natura ou minimamente processados, acessíveis e produzidos regionalmente. O apoio e o fomento a agricultores familiares e cooperativas para a produção e a comercialização de produtos saudáveis, como legumes, verduras e frutas, é uma importante alternativa para que, além da melhoria da qualidade da alimentação, se estimule geração de renda em pequenas comunidades, fomentando políticas públicas de produção de alimentos.
2. Saborosa: a ausência de sabor é outro tabu a ser desmistificado, pois uma alimentação saudável é, e precisa ser saborosa. O resgate do sabor como um atributo fundamental é um investimento necessário à promoção da alimentação saudável. As práticas de marketing muitas vezes vinculam a alimentação saudável ao consumo de alimentos industrializados especiais e não privilegiam os alimentos não processados e menos refinados como, por exemplo, os tubérculos, legumes, verduras, frutas e grãos variados – alimentos saudáveis, saborosos, muito nutritivos, típicos e de produção factível em várias regiões brasileiras, inclusive e principalmente por pequenos agricultores e pela agricultura familiar.
3. Variada: implica em estimular e orientar o consumo de vários tipos de alimentos que forneçam os diferentes nutrientes, evitando a monotonia alimentar que limita o acesso aos nutrientes necessários para atender às necessidades do organismo, de forma a garantir uma alimentação adequada.
4. Colorida: visa  garantir a variedade de grupos de alimentos que irão compor a alimentação, principalmente em termos de vitaminas e minerais, e também a apresentação atrativa das refeições, que agrade aos sentidos e estimule o consumo de alimentos saudáveis como legumes, verduras e frutas, grãos e tubérculos em geral.
5. Harmoniosa: refere-se especificamente à garantia do equilíbrio em quantidade e qualidade, dos alimentos consumidos. Para o alcance de uma nutrição adequada considerando que tais fatores variam de acordo com a fase do ciclo de vida, com o rem interações que podem ser benéficas e outras que podem ser prejudiciais ao estado nutricional, o que implica na necessidade de harmonia e equilíbrio entre os alimentos consumidos.
6. Segura: os alimentos que compõem a alimentação devem ser seguros, livres de contaminação físico-química, biológica ou genética, evitando possíveis riscos que podem causar à saúde das pessoas e das coletividades. Neste sentido, práticas adequadas de produção, processamento e manipulação dos alimentos, desde a sua origem até o preparo para consumo, em nível domiciliar ou em restaurantes e comércio de alimentos, devem ser observadas com o objetivo da redução de riscos à saúde e, conseqüentemente, ao estado nutricional. Portanto, a atuação da vigilância sanitária e a orientação de práticas adequadas de seleção e preparo de alimentos devem ser asseguradas pelas políticas públicas de promoção da alimentação saudável.
Por fim, cabe destacar que a alimentação e nutrição adequadas constituem requisitos básicos para o crescimento e desenvolvimento humano ideal, mas devem estar inseridas em um contexto de ações integradas de promoção de modos de vida saudáveis, lembrando que os direitos humanos (paz, alimentação, moradia, renda, educação, ecossistema estável, justiça social e equidade) são indivisíveis e interdependentes.

Fonte:
Manual Clínico de Alimentação e Nutrição – Assistência a Adultos Infectados pelo HIV
80 Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde - Programa Nacional de DST/ Aids

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pirâmide de Alimentos

A distribuição dos alimentos na pirâmide alimentar foi adotada pelo Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA) em 1992, depois de se verificar que esse tipo de apresentação é a de mais fácil compreensão e aceitação.

As principais metas da pirâmide alimentar são obter o consumo variado de alimentos, ingestão menor de gorduras saturadas e colesterol, maior consumo de frutas, verduras, legumes e grãos além, da ingestão moderada de açúcar, sal e bebidas alcoólicas. A prática de exercícios físicos é recomendada visando a perda ou manutenção do peso adequado como também, a prevenção de doenças entre elas, as cardiovasculares, diabete, hipertensão e osteoporose. A adoção da pirâmide alimentar se propõe a mostrar de forma clara e objetiva como alcançar as necessidades de calorias e nutrientes da população utilizando seus alimentos habituais, tornando-a, assim, prática e flexível.

Entretanto, a recomendação de nutrientes pode variar entre as populações e, por isso, houve a necessidade de ela ser adaptada para a população brasileira visando, principalmente, atingir as recomendações dos macronutrientes que são 50 a 60% do valor de calorias totais ingeridas em um dia (VCT) de carboidratos, 10 a 15% do VCT de proteínas e 20 a 30% do VCT em gorduras.

Bibliografia:
Phillipi ST, Laterza AR, Cruz ATR, Ribeiro LC. Pirâmide Alimentar Adaptada: Guia para Escolha dos Alimentos. Rev. Nutr., Campinas, 12(1): 65-80, jan./abr., 1999.

Por:
Roberta Stella
Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP)